quarta-feira, 17 de outubro de 2012

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Coisa

O querer ver
todos querem sentir
a mesma
E, poucos, percebem que a mesma
nunca vai ser vista
achada, sentida...
Porque o mesmo só fica na procura
(e não é a mesmice a cura)
A busca, quando finda
geralmente não é percebida
Apreendida, reprimida, perdida
Seguimos.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Desejo

O meu
pedido perdido
ri quando o
gozo ainda
morno feito leite
rasga meu rubor
como pó de arroz...
minha intuição diz
go!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Matemática

Eu tento multiplicar
o sentimento que você,
dividido
diminuiu
Minha alma soma o que restou
no meu coração
Não gosto de matemática.

Parto

Hoje eu pari
Abortei o amor
que tinha dentro das minhas entranhas
Os vestígios que ainda estão impregnados,
pregados no meu útero
Desmancham a esperança em sangue
Do ventre da minh'alma
                                    [ainda dolorido]
recupera o solo
para a vinda
de um sentimento fértil.

Nativa em ti

Quero ser tua nativa
Morar no teu eu
sem que ele deixe de ser teu
E que eu não me deixe...
Quero ser tua menina
Tua mulher
Tua sativa
A fêmea
e te dar dopamina
Fazer parte do teu todo
e, mais do que gozo
Ser tua fonte de seretonina

quarta-feira, 14 de março de 2012

Aos seus pés

Seus pés estão acostumados
a verem inúmeros fatos
Vidas nascem,
mitos morrem
Choro e riso se misturam
comédia e drama dormem juntos
sob o céu de ouro
E chegou o medo
Não temeu e logo partiu
Veio a ansiedade
(mas não o desespero, este não cabia ali!)
Surpreendentemente sorriu
o corpo desacelerou
o coração embargou
Após um beijo primeiro,
a voz voltou
E as mãos anciosas
passearam pelo inexplicável
E não aguentando mais
(em meio ao paraíso das cores)
Procuraram-se
e perderam-se
em meio ao labirinto
do nosso desejo
Reencontrei (?)
aos seus pés.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Sinestia

Tantos caminhos paralelos
Acabaram sendo certos
Mas como é incerto o fato
A surpresa que ele traz
Sentimento inexato
Ausência da não presença
Mundo inesperado
Almas conexas
Banzo aumentado
Será o acaso?
E a falta que eu não tenho
É a vontade de te ter
E conseguir ver o visível
Sinto teu olhar
Navegar no teu paladar
E cheirar tua energia
É tranquilidade do mar
É o fogo da sinestesia!

Re-cife

Ah Recife!
Teus morros sorrindo
e teu mar chorando
Teu povo clama
os hômi enriquece
a natureza padece
E os teu rio se convalesce
da cidadania que apodrece...

Idílio

Idílio é o que passa
a minha pele
longe da tua
Ela, solitária
anseia pelo teu órgão quente
Cobrindo-a inteira
feito rosas silvestres
ainda úmidas...
Que desabrocham
o universo

Portuguesando

Todas as poesias tem nome
Até aquelas que não tem
Porque em prosa
ou em verso
As palavras proseam,
versam
Ocultam
Mas não é uma procura culta
Basta ligar os sentidos
que se aparece
o que (não) foi dito
Indefinido
nada mais é que o sujeito
que geralmente, enquanto objeto
dificilmente é direto
Indireto sempre é o sentimento!